domingo, 7 de dezembro de 2008

Pequeno léxico de palavras (in)compreendidas - A cruz e a espada

Seria inocência de minha parte, pensa por um momento que as palavras incompreendidas haveriam de me abandonar. Lembro-me das sábias palavras de Milan Kundera, de que o flerte é uma possibilidade de coito, mas não uma certeza, de que o flerte é uma possibilidade de romance, mas não um contrato; pois bem, mais uma vez eu fora traído por essas ciladas.
Já reescrevi esse texto três vezes, já provei diversos nomes diferentes, revelando apenas a insegurança que toma meu ser nesses raros instantes; tenho medo das certezas agora. Temo ter a certeza de que sinto novamente aquele sentimento, tão doce que embalara meus sonhos de menino; como se de repente, toda aquela inocência dos teus sorrisos se tornasse assustadora ante a possibilidade que vislumbro.
Fora o flerte; numa noite como qualquer outra, mesmo perdidos na distância e no espaço, pareciam que seus olhos tocavam os meus, com tantas sinceras palavras que colocava diante de mim naquele dia; de minha parte, minhas pernas tremeram e meus olhos saltaram das órbitas, minhas mãos esfriaram e pareci novamente ter quinze anos de idade as portas de uma vida que se apresenta. Não que agora, na minha vida de homem deva esquecer completamente o que embalou os primeiros anos de minha juventude, não isso, mas tenho medo de um sentimento que volta do tempo com toda força, ultrapassando a barreira da existência e se instalando novamente em meu peito.
Tive medo, mas era tarde: Já estávamos perdidos no léxico de palavras incompreendidas; palavras atravessadas, sons pela metade, já estávamos nus, despidos pelas nossas próprias verdades, embriagados pela docilidade de nossos próprios sentimentos... Sem querer e sem saber, temendo se contaminar pela nossa própria experiência, tentando resgatar um pouco da inocência que se perdeu nos anos.
Ainda absorto em teus olhos e nas lembranças que me fustigavam, deitei-me, prometendo-lhe sonhar acordado; sonhando, pudia pegar a sua mão e levá-la pra onde eu quisesse; queria levá-la comigo, queria colocá-la dentro de mim, queria resgatar cada minuto seu, tentava lembrar mais um pouco o som da tua voz que há muito não ouvia e perdido em todos esses devaneios, durmi enfim.
Durmi o sono das crianças, que se embalam perdidas nos carinhos de tuas mães; foi assim, pois durmi embalado nos carinhos teus.



"Havia um tempo, em que eu vivia, Um sentimento quase infantil, Havia o medo e a timidez, Todo um lado que você nunca viu...
(...)
agora é tarde, Acordo tarde, Do meu lado alguém que eu nem conhecia; Outra criança adulterada Pelos anos que a pintura escondia...."
- Renato Russo

3 comentários:

Rachel Chagas disse...

Para começar um, MUITO OBRIGADA, pela sua recíproca visita ao meu blog, gostei mesmo!! E, obrigada novamente...
Segundo, amei seu texto antes mesmo de lê-lo, somente pelo título onde você escreve: a cruz e a espada.
Sabe que AMO essa música?!! Havia um tempo em que eu ouvia essa música praticamente 20 vezes - sem exagero - ao dia!! Ela é viciante! Com o Paulo Ricardo então, fica perfeita!
Mas então, sabe qual o barato da vida?! Não ter certeza de nada, esse é o barato, deixar rolar.
E outra coisa, uma das melhores coisas antes de uma apresentação - apesar disso me importunar um pouco - é o frio na barriga antes da entrada. Aquele bendito frio, que em toda apresentação eu sinto.
Tomo isso para mim, como um sinal de que o que está por vir é deliciosamente emocionante, por mais bobo que pareça, é emocionante ao menos pra mim e isso é o que importa!
Deixar os medos de lado também é importante, faça dos seus fantasmas, apenas luz!

PS: falou a psicóloga!

olha, um beijão pra você ta?! e, mesmo que eu não comente, pode ter certeza que uma vez ou outra, estarei passando por aqui!
Mais uma vez, obrigada pela visita, e pelos elogios ao meu blog!

:)

Rachel Chagas disse...

De verdade, verdadinha?! Não sou nem uma coisa nem, outra... nem psicóloga nem, aprendiz.
Falo isso, por que todos os meus amigos, conhecidos, primos, irmãos, vem me pedir para ouvi-los e, no fim, ainda tento reconfortá-los com algumas das minhas sábias palavras (ha-ha!). Não sei se dá certo mas, eles sempre voltam!
Mas de verdade, não cursaria psicologia não, enlouqueceria, como se eu já fosse muito normal...
:P

mas é isso... :)

beijão!!

JonatanFR disse...

(...) só deixo minha presença. Palavras não ouso deixar, pois elas se perderiam diante de tão belas palavras.