Seria inocência de minha parte, pensa por um momento que as palavras incompreendidas haveriam de me abandonar. Lembro-me das sábias palavras de Milan Kundera, de que o flerte é uma possibilidade de coito, mas não uma certeza, de que o flerte é uma possibilidade de romance, mas não um contrato; pois bem, mais uma vez eu fora traído por essas ciladas.Já reescrevi esse texto três vezes, já provei diversos nomes diferentes, revelando apenas a insegurança que toma meu ser nesses raros instantes; tenho medo das certezas agora. Temo ter a certeza de que sinto novamente aquele sentimento, tão doce que embalara meus sonhos de menino; como se de repente, toda aquela inocência dos teus sorrisos se tornasse assustadora ante a possibilidade que vislumbro.
Fora o flerte; numa noite como qualquer outra, mesmo perdidos na distância e no espaço, pareciam que seus olhos tocavam os meus, com tantas sinceras palavras que colocava diante de mim naquele dia; de minha parte, minhas pernas tremeram e meus olhos saltaram das órbitas, minhas mãos esfriaram e pareci novamente ter quinze anos de idade as portas de uma vida que se apresenta. Não que agora, na minha vida de homem deva esquecer completamente o que embalou os primeiros anos de minha juventude, não isso, mas tenho medo de um sentimento que volta do tempo com toda força, ultrapassando a barreira da existência e se instalando novamente em meu peito.
Tive medo, mas era tarde: Já estávamos perdidos no léxico de palavras incompreendidas; palavras atravessadas, sons pela metade, já estávamos nus, despidos pelas nossas próprias verdades, embriagados pela docilidade de nossos próprios sentimentos... Sem querer e sem saber, temendo se contaminar pela nossa própria experiência, tentando resgatar um pouco da inocência que se perdeu nos anos.
Ainda absorto em teus olhos e nas lembranças que me fustigavam, deitei-me, prometendo-lhe sonhar acordado; sonhando, pudia pegar a sua mão e levá-la pra onde eu quisesse; queria levá-la comigo, queria colocá-la dentro de mim, queria resgatar cada minuto seu, tentava lembrar mais um pouco o som da tua voz que há muito não ouvia e perdido em todos esses devaneios, durmi enfim.
Durmi o sono das crianças, que se embalam perdidas nos carinhos de tuas mães; foi assim, pois durmi embalado nos carinhos teus.
"Havia um tempo, em que eu vivia, Um sentimento quase infantil, Havia o medo e a timidez, Todo um lado que você nunca viu...
(...)
agora é tarde, Acordo tarde, Do meu lado alguém que eu nem conhecia; Outra criança adulterada Pelos anos que a pintura escondia...."
- Renato Russo
3 comentários:
Para começar um, MUITO OBRIGADA, pela sua recíproca visita ao meu blog, gostei mesmo!! E, obrigada novamente...
Segundo, amei seu texto antes mesmo de lê-lo, somente pelo título onde você escreve: a cruz e a espada.
Sabe que AMO essa música?!! Havia um tempo em que eu ouvia essa música praticamente 20 vezes - sem exagero - ao dia!! Ela é viciante! Com o Paulo Ricardo então, fica perfeita!
Mas então, sabe qual o barato da vida?! Não ter certeza de nada, esse é o barato, deixar rolar.
E outra coisa, uma das melhores coisas antes de uma apresentação - apesar disso me importunar um pouco - é o frio na barriga antes da entrada. Aquele bendito frio, que em toda apresentação eu sinto.
Tomo isso para mim, como um sinal de que o que está por vir é deliciosamente emocionante, por mais bobo que pareça, é emocionante ao menos pra mim e isso é o que importa!
Deixar os medos de lado também é importante, faça dos seus fantasmas, apenas luz!
PS: falou a psicóloga!
olha, um beijão pra você ta?! e, mesmo que eu não comente, pode ter certeza que uma vez ou outra, estarei passando por aqui!
Mais uma vez, obrigada pela visita, e pelos elogios ao meu blog!
:)
De verdade, verdadinha?! Não sou nem uma coisa nem, outra... nem psicóloga nem, aprendiz.
Falo isso, por que todos os meus amigos, conhecidos, primos, irmãos, vem me pedir para ouvi-los e, no fim, ainda tento reconfortá-los com algumas das minhas sábias palavras (ha-ha!). Não sei se dá certo mas, eles sempre voltam!
Mas de verdade, não cursaria psicologia não, enlouqueceria, como se eu já fosse muito normal...
:P
mas é isso... :)
beijão!!
(...) só deixo minha presença. Palavras não ouso deixar, pois elas se perderiam diante de tão belas palavras.
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