quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Dias cinzas, saudades tua...

Hoje teve chuva na vidraça.
Me senti cinza como dia, com uma lembrança estranha de ti que se arrastou comigo por todo tempo q contemplava a tempestade; sentia como se meu coração fosse arrastado por essa saudade que me devora em silêncio.
Deixo-me devorar pela tua lembrança; tenho vontade de olhar-lhe nos olhos e dizer vorazmente o que sinto mas temo: Não apenas a ti, mas temo mais ainda o que será de mim depois de dizer-lhe todas essas sentimentalidades. Tenho medo dos teus olhos a me olhar, e dos meus, procurando nos teus respostas que não existem, tenho medo do teu sorriso, que agora me assusta como as crianças temem os trovões que perturbam do lado de fora.
Minha alma tem frio de você; estou cansado e desejo reclinar meus braços sobre os teus ombros por um minuto e contemplar do modo mais de perto e mais voraz os traços leves do teu rosto, sentir a tua simplicidade pulsando em cada veia e ouvir as batidas do teu coração que podem me trazer uma esperada calma.
Tenho medo de que saibas de tudo quanto escrevo e com isso tua voz se cale para sempre; temo as tuas verdades e por isso te mantenho vivo em mim, guardando-o em meu peito como um segredo inatingível e que jamais deveras ser revelado.

(...)

A tempestade passou; sinto a brisa leve do vento que anuncia o fim das chuvas e meu coração tenta alcançar refrigério, acreditando que os dias cinzas acabam e que podem levar por fim essa estranha sensação que insiste em amargar minha boca.
Lentamente, vou me curando da angústia que reside em teu silêncio.

"A vida é ao mesmo tempo, significativa e louca. Se não rirmos de um dos aspectos e não especularmos acerca do outro, a vida se torna banal; e sua escala se reduz ao mínimo. Há então, igualmente pouco sentido e pouco absurdo."

- C. G. Jung

1 comentários:

Vato!!! disse...

Sim, todas as tempestades passam, e é sempre melhor esperar o retorno do sol para tomar decisões!!!
Abraço!