Ironicamente, tudo quanto remete tua existência decidi chamar de passagens. Na minha ingenuidade, cri que seria apenas uma passagem a beleza do teu sorriso cativante; apenas uma pasagem, perena, bela e breve como uma brisa matinal ou como o desabrochar de uma flor rara. Pensei que o despertar de tua primavera seria uma passagem, tão leve quanto um pedaço de neve que se desfaz em qualquer chuva que se aproxima.Mas hoje esses textos chamam-se passagens por que assim os chamei, e não há cabimento que os mude, apesar de tua passagem ser longa, tão intensamente marcante que essas passagens durarão primaveras e primaveras, até que eu tenha novamente o despertar de um sorriso.
Ainda lembro do dia em que te conheci; te percebi nos teus olhares esguios, até que perdeu-se na multidão dos meus próprios pensamentos... Pensei que nunca mais te veria, pensei que o teu olhar perderia-se no nosso tempo, sonhei que o teu sorriso se desmanchava em minhas mãos; que depois de tanto te imaginar, vi mais uma vez os teus olhos, agora perdidos em sua própria existência e o teu sorriso, suficientemente breve para durar pela eternidade do meu tempo, até que foi-se por uma segunda vez, levando de mim um pedaço que me faz perseguir o teu encontro.
Tantas outras vezes sucederam; e com isso, deu-se a tua necessidade, a tua vontade constante de ter pelo menos um pedaço teu, numa ilusão tão bela que me faz imaginar o tempo todo tua chegada repentina, em que eu diga todas essas bobagens românticas e delas faça nascer o teu sorriso de novo, sendo esse um eternizado em minha memória. Escrevo, com um temeroso desejo de que ocasionalmente leias essa carta sem nome e se reconheça; veja tuas formas e teus trejeitos desenhados nessas palavras, e aí, do que fiz um banal segredo já não o será, tornando-se teu também aquilo que tenho acalentado.
(...)
Olhar fixo no telefone. Vontade de agarrar um pouco da tua voz, junto ao desejo de te olhar nos olhos e dizer todas essas coisas, dando finalmente o merecido nome a este poema: Aquele que é teu e está Nos teus olhos, perdido sempre em teus Dias E sem que percebas, Repete-se constantemente próximo a você, Sempre com um som que nos Obriga ao Nada.
Está feito apenas pra você, esses fragmentos de um amor, que é quase sem nome.
"Aqui ou noutro lugar, que pode ser feio ou bonito, se nós estivermos juntos, haverá um céu azul... Um amor puro, não sabe a força que tem, meu amor eu juro - ser seu e de mais ninguém..."
- Djavan
1 comentários:
Que estes fragmentos possam encontrar os complementos...
Lindo seu texto...!
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