Lembro-me do dia em que nasceu. Meus olhos se enchendo de lágrima pela grandeza que me conferia pegar você com as mãos; era tão frágil, que qualquer sopro parecia quebrar-lhe, me fazendo imaginar como era tão tenra a nossa fragilidade. Todos fomos como você uma dia, tão pequenos de tamanho e de sonhos, tão indefesos dentro de um mundo tão grande, esperando que construam um mundo que também seja nosso.Senti seus pequenos dedos se apertarem no meu; seus olhos ainda nem se abriam mas eu já podia imaginar-lhe a grandeza, brincando com uma velha mania dos adultos de imaginar a vida dos outros, fiquei pensando como seria seus primeiros passos, sua voz, suas primeiras palavras, suas coisas; já podia ver a reunião de família em que te verei já tomada por tantos anos e rir-se-íamos desses dias que não se lembra em que eu ainda podia te pegar no colo, te esconder na palma da mão e te embalar num sono doce sem preocupações debaixo do travesseiro ou monstros que lhe assole os sonhos. Estava encantado e ao mesmo tempo maravilhado, como tantas coisas tão profundas e gigantescas estavam contidas em tamanha fragilidade que eu tinha agora nas mãos. Ouvi seu primeiro choro, como quem reclama por não saber onde está.
Como é belíssima toda essa criação!
Fora tudo tão belo que assim que abri os olhos o tempo resolveu passar depressa; os relógios andam acelerados ultimamente, e foi dar por conta veio seu primeiro ano de vida, com você sabendo bater palmas e assoprar velinhas, fazendo bagunças, gracinhas, andando pela casa em uma simplicidade absurda, de quem não tem outra preocupação senão de viver. Como queria se pudesse, arrancar-lhe todos os sofrimentos e todas as dúvidas que lhe advirão, poder prever tantas coisas e livrar-lhe da dor que dá construir significados nesse mundo tão vazio. Mas eu jamais poderei fazê-lo, pois isso lhe pertence e ninguém poderá lhe tirar: O dia em que decidir soltar os nossos dedos e caminhar com suas pezinhos tão pequenos para a vida cheia de possibilidades.
Haverão esses dias, em que há uma vida toda nos convidando e aquele mundo tão grande fica pequeno que passa caber em nós mesmos. O mais importante é que lembrarei saudosamente do dia em que apertou meus dedos pela primeira vez, das tantas adversidades que minha idade poderão lhe evitar e que mesmo que seus pés pequenos e desajeitados resolvam caminhar em busca de tudo que um dia eu também busquei, haverá sempre minha mão estendida esperando que seus dedinhos fracos apertem os meus com toda força.
Que o pai celestial te ilumine sempre, nossa pequena princesa.
Chris, 10 - 09 -2009.
"Nada é tão belo como a criança durmindo, nem tão profundo como dormir sem sonhar.... Nem tão antigo como o sonho dos teus olhos, nem tão distante como a hora de acordar...."
- Raul Seixas
1 comentários:
Já disse que essa menina é uma das coisas mais lindas que eu já vi?
Linda, linda, linda, linda!
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