sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Mil histórias.

Te inscrevo na minha arte que é a forma que encontro pra não ter perder.
Gosto de contar tuas histórias pra mim mesmo, falar sobre teu jeito, tua forma de mentir pra si mesmo me enche de um encantamento esparso que se dilui na sordidez dos teus atos; ainda me pergunto (e me surpreendo) com o que me mantém ligado a você. Escuto tuas reclamações, que é a tua forma de dar a volta em si mesmo e vou aprendendo com você a fingir esses medos que nos abalam, pedindo docemente que você se entregue lentamente a esses desejos que te tomam e se estampam nos seus olhos.
Esse é meu jeito de existir e é apenas o que peço que entenda; pra não me perder de mim mesmo, vou fazendo arte, juntando esses pedaços de qualquer coisa, colocando cada pedaço da existência de todos em mim pra não esquecer quem eu sou. As vezes era apenas o que queria que fizesse, deixasse que alguém penetrasse esse teu mundo tão cheio de obscuridades que me confudem; permitir que as lembranças emendem o nosso tempo pela terra é uma forma de não ser esquecido - como diria o filósofo - a árvore em-si, pode até ser queimada, derrubada, destruída, mas o modo com que ela existiu em você, o modo com que fez parte do teu existir nos dias de calor jamais podem ser apagados. E lembra o poeta que "podem até maltratar meu coração, mas meu espírito ninguém vai conseguir quebrar".
Espero que se lembre como eu, de cada bobagem que aprendemos a viver; fora tudo tão pequeno e tão intenso, aquelas noites a fio de trabalho, dividindo nosso espaço e nosso tempo, dividindo angústias tão pequenas que saltam em nossas brincadeiras, os risos baixinhos nas converas demoradas. Só peço que de tudo isso se lembre, como eu me lembro de todas essas coisas que me completam em meio ao esvaziamento que se faz durante o existir.
São mil histórias minhas, que são também de todos que se inscrevem para sempre na fluidez dos meus poemas, para que um dia, mesmo que eu me esqueça de mim, ainda possa lembrar de todos aqueles que me fizeram e mais ainda, que possa me lembrar dos sentimentos que te dediquei, mesmo que eles se percam na imensidão do tempo, se esvaindo perdido nas obscuridades de nós mesmos.

São mil histórias, pra que quando estiveres perdido, encontre também um pedaço da tua.

"Quando me vi, tendo de viver comigo apenas e com o mundo, você me veio como um sonho bom e me assustei; não sou perfeito, eu não me esqueço... Que a riqueza que nós temos, ninguém consegue perceber, e de pensar nisso tudo, eu.... homem feito, tive medo e não consegui dormir..."
-Renato Russo

2 comentários:

Ni ... disse...

Sinto como se tivesse lido o meu sentir...

Perfeito!

Mah disse...

Ouso dizer que é a coisa mais bonita que já encontrei aqui.

Te amo.