
Era tudo feito da minha esparsa distração se espalhando pela cena avessa, e vi os seus olhos firmes atravessarem entre os meus; seu sorriso ingênuo e suas faces ruborizadas traduziam coisas que não podia descrever ali. Senti medo, senti-me envergonhado, constrangido como uma criança que faz meninices, dei a rir de mim e da tolice que cercava aquela cena, perdido entre pensamentos longíquos que me fizeres caminhar, tentava explicar quais segredos haviam escondidos em seus olhos que tanto me fascinavam e prendiam meus passos no seu.
Pude ver-lhe mais de perto; percebia de longe seus olhos tocarem os meus a todo momento numa timidez incompreensível, enquanto de mim nada sobrava a não ser meus braços cruzados e a aflição para sair das tuas face vermelha e do alcance de tua retina; queria fugir, esconder-me mais uma vez dentro de mim, porém quando escondido, era outra surpresa que ali dentro me aguardava: Mais um pedaço seu estava ali dentro, tão grande, envolto em uma grande caixa e um laço de fita que eu não era capaz de abrir ou decifrar o que significava. Cabeça baixa, olhando para meus sapatos como uma criança perdida eu me perguntava afinal, que tais segredos eram esses que haviam em comum entre o teu olhar e meu coração que nos prendiam num pequeno fio indescrítivel, invisível a qualquer um que force a visão sobre nós, e me lança numa tristeza sóbria de saber que nunca mais tocarei teu rosto como um dia toquei.
Pude ver-lhe mais de perto; percebia de longe seus olhos tocarem os meus a todo momento numa timidez incompreensível, enquanto de mim nada sobrava a não ser meus braços cruzados e a aflição para sair das tuas face vermelha e do alcance de tua retina; queria fugir, esconder-me mais uma vez dentro de mim, porém quando escondido, era outra surpresa que ali dentro me aguardava: Mais um pedaço seu estava ali dentro, tão grande, envolto em uma grande caixa e um laço de fita que eu não era capaz de abrir ou decifrar o que significava. Cabeça baixa, olhando para meus sapatos como uma criança perdida eu me perguntava afinal, que tais segredos eram esses que haviam em comum entre o teu olhar e meu coração que nos prendiam num pequeno fio indescrítivel, invisível a qualquer um que force a visão sobre nós, e me lança numa tristeza sóbria de saber que nunca mais tocarei teu rosto como um dia toquei.
Mas um dia toquei? Sim, certamente... Esse era apenas parte do segredo, pois de olhos fechados, forçando a memória para lembrar-se de um passado que já não pode se ver, reminiscências pequenas como fios prateados desvelavam-se a minha mente; pedaços pequenos de nós suficientes para reconstruir uma vida e eu, como tantas outras vezes, era fadado a me lembrar com amarga saudade daqueles olhos que já não são mais meus e que por tantas vezes eram os sóis a me despertar em manhãs longíquas que nem mais posso sentir o calor.
Fui lembrando lentamente onde estava; um amigo chamava meu nome ao meu lado e eu tentando trazer de volta tudo que se escondia naquele belo presente; fechando os olhos lembrava do seu olhar esguio sobre mim, um tanto autoritário confesso, como se soubesse em algum lugar que podia me ter quando quisesse, mas ainda assim, prefere disfarçar-se atrás das meninices que te cobrem, brincadeiras distantes perdidas no mar de seus olhos que nada me dizem a não ser que deseja para sempre esquecer tudo quanto se perdeu no tempo, e que eu, como insistente nessa memória distante, trago a tona essas coisas que não mais nos cabem.
Mas confesso, não se trata apenas de nostalgia; sinto que se todas as peças forem bem colocadas, uma bela imagem pode se revelar a nós e se fechar bem os olhos e puder voltar apenas um pouco mais, posso sentir a docilidade de suas mãos me tocando, segurando firme com todo calor do mundo, seus olhos profundos marejados de lágrimas, perdidos num adeus que não queríamos dar e hoje, podendo olhar-lhes novamente, enxergo uma lágrima secreta que só nós vemos.
Reminiscências, delírios, coisas vãs que se espalham cada vez que vejo tua imagem... Não posso comprender, contentando apenas com as gotas de saudade que os deuses, brincalhões como são, molham meus olhos sempre renitentes em buscar a doçura dos seus.
"Se fosse só sentir saudade, mais tem sempre algo mais, seja como for... É uma dor que dói no peito; pode rir agora, que estou sozinho (...) Sentir teu coração perfeito, batendo atoa, isso dói, seja como for..."
- Renato Russo
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