Hoje o mundo ficou cheio de uma coisa esquisita. É como se a vida, pra te surpreender, encolhesse o mundo e tentasse te colocar cada vez mais dentro dele; quanto mais o mundo diminuia, mais eu sentia o coração apertar, como se a peça que me pregavam nunca fosse acabar. É como andar o tempo todo com um sapato furado, ou com uma pedra dentro dele, que de tanto costume, te contam da pedra e você permanece descrente, ri-se de saber que alguém pode ser tolo; as vezes você até olha pelo buraco que existe ali no sapato e quando mexe um pouco os pés, sente a pedra que lhe incomoda, mas descrê e continua a caminhar tranquilo, apenas com o coração condoído por uma angústia que nunca cessa.Por esses dias aprendi umal lição para a vida toda. Descobri, de modo doloroso e compreensível que não existe verdade senão as que estão em nosso coração; é essa nossa ligação sobrenatural com Deus em nossas almas que é capaz de indicar o caminho que se deve seguir; todas as respostas que eu buscava encontrei na simplicidade e no abraço de alguém que prova sem querer que te gosta de verdade. Era belo como se desenrolava a história, como se fosse um belo conto que se apaga por um momento, havendo uma página em branco num livro que não se compreende, mas que por medo jamais ousamos virar. Chega alguém de coragem, lentamente, segura tuas mãos e diz "vamos", fazendo daquele medo tonto um grande segredo que embeleza a vida. Foi uma lição incrível saber que para além das minhas esperanças, alguém me observava calado, assistindo meu eterno espetáculo com o coração nas mãos, temendo minha queda no palco, torcendo pra que eu esqueça o texto, desça do palco e abrace os verdadeiros atores ansiosos que me aguardavam, afinal esses não são atores por que fingiam, mas participavam pequenos na cena, tateando uma resposta que pudesse me servir.
Hoje decidiram por fim me tirar de mais um palco. A vaidade é cheia de armadilhas, e os elogios podem ser armas apontadas contra nós; na minha palidez fica difícil acreditar em qualquer coisa, volto a pensar que preciso ouvir mais um pouco de Deus, do fragmento dele existente na alma. Como herói que desce o hades, volto apenas em pó, sem troféu que se exiba, apenas com o sabor amargo da luta. A vida adora ficar cheia de nada pra me pregar peças; sequestra o sentido sem qualquer sentido que justifique; é como se fosse uma morte toda esquisita e premeditada. Um suicídio tolo.
Fico pensando no preço do perdão e se um dia serei capaz de me entender com isso; tenho facilidade de da-lo aos outros mas é como um parto cedê-lo para mim. Enquanto isso me agarrarei nas boas lembranças, nos bons conselhos, nas coisas que me fizeram feliz. Fico acalentando minha lembrança desses dias, desse amigo calado que conseguiu com beleza e simplicidade me estender a mão de um modo que nem ele percebia. Tento me agarrar nas verdades pra que as mentiras não me devorem e penso nas mentiras pra que saiba reconhecer melhor as verdades, pois não sei dizer se afeito de ingenuidade ou burrice, me vendi pelas coisas que não acreditava, me troquei pelas coisas que não sabia; provei o doce sabor da cicuta, agradeci, fiquei calado esperando o efeito. Está feito. Esse dissabor amargo que me devora, misturado a beleza da verdade que me capta me faz vivo; quero estar feliz, para isso, permaneço abraçado no silêncio das pessoas que são feitas da dureza do amor.
Atotô! Agora tudo é silêncio.
2 comentários:
Olá! Passo aqui para divulgar meu espaço também sobre psicologia!
http://blogcognicao.blogspot.com/
Abraços!
Very nice blog.
Postar um comentário